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Mãe Habiba de Oxum Abalô

Mãe Habiba fez uma formação de treze anos no Templo Guaracy, Casa de Umbanda, São Paulo, e uma consagração aos Orixás, Nação Angola, pelas mãos de Pai Buby, que em 2006 lhe deu permição e incumbência de fundar a sua própria casa.
Desde então Iya Habiba conduz o Terreiro Terra Sagrada como uma casa na qual a cosmologia dos Orixás é transmitida de forma iniciática e na qual a incorporação de entidades é praticada como trabalho voluntariado e dentro de um contexto ritual.
Ao lado experiência concreta da prática ritual afluem na sua compreensão da tradição a pesquisa permanente do mundo dos Orixás, do Candomblé, da Umbanda, da Santeria e outros bem como da tradição de curas naturais provenientes das culturas Iorubá e Banto e ainda as suas formações e interesses nas áreas da psicoterapia, sociologia das religiões e filosofia.

Havendo questões pessoais a serem tratadas de maneira especial, recebemos o pedido via e-mail (office(at)terrasagrada.info) e o enviaremos para Ya Habiba.

Os caminhos dos Orixás
É na grande Natureza, nos seus ciclos e seus elementos, na sua terra que nutre e no seu céu que respira, no jogar permanente das forças que equilibram - é em tudo isso que nós pessoas também fomos lançadas. Lá, aonde nós festejamos este conjunto, aonde compreendemos a interligação mais profundamente, aonde desejamos ver a nossa influência no todo com amor e com medida, é lá que surgiram e surgem as tradições espirituais ligadas à natureza.
A tradição dos Orixás, da maneira como ela é cultivada neste Terreiro, é uma dessas. Caminho experiencial, que exige dedicação e disciplina; rituais que dão expressão à magia da vida; espaços de cura, que permitem purificação, renovação e re-conexão.
Inspiração através da leitura destas páginas e um abençoado encontro em giras e em outros espaços de cura é o que deseja Ya Habiba de Oxum, Julho 2015

Rôra yèyé o - Modúpe Ìyá dé o
Oxum, Oshun o, Yèyé o - de mil maneiras corrente, sempre renovada.
Enquanto Mãe real amante da riqueza.
Enquanto Velha silenciosa leitora do destino.
Enquanto Rebelde linda parturiente do deslanchar.
Tudo através de você, você água. Aqui na Terra tudo através de você.
Surgir. Desvair. Tarnsformar, tudo através de você.
   Vem, Yèyé, abençoada. Te mostra, de mil maneiras sempre nova.
Deixa-nos viver você, por todos os caminhos, sempre nova.
Deixa-nos lembrar você, profunda e sábia, dançar você, delicada e grande.
Deixa o mundo e nós com ele ser nascido, sempre renovado, Yèyé o.
Inefável a gratidão pela tua existência, Yèyé! Modúpe Ìyá dé o!
Ya Habiba de Oxum, Junho de 2014

Casa da Cura
O sagrado e a cura em percepções indígenas do mundo são coisas que andam juntas e que estão intrinsecamente ligadas com a natureza. A pessoa, suas preocupações, necessidades, doenças, guerras não são nunca - sob esta perspectiva - exclusivamente humanas, de pessoa pra pessoa entre pessoas. Elas são parte de uma família maior, um nós maior, um espaço maior que implica a paisagem, a terra, as plantas, as pedras, as águas, e os bichos.
   O sagrado vive entre a pessoa e a natureza e da mesma maneira a cura. A arte de cura espiritual chama e desperta a força da relação entre a pessoa e o espaço, recorda o ser unido e derrete o autismo do nosso autocentrismo humano. Cada Orixá é sob esta perspectiva força divina e força de cura, mesmo que entre eles se encontrem alguns que são especialmente consagrados à cura.
   Assim por exemplo é Ossaim. E se Ossaim age de uma maneira especial, não é porque ele conheça muito bem as pessoas e seu organismo, mas - assim nos contam os mitos -porque ele se emprenhou no mato por muito tempo, ouvindo, se admirando e aprendendo. Porque ele estudou a relação entre a pessoa e a mata, viu o equilíbrio e o desequilíbrio. A medicina de Ossaim não é uma erva que simplesmente cura feridas. A medicina de Ossaim desperta lembranças do maior comum, aonde acontece a ferida mas também o milagre. Saravá Ossaim ! Euassa!
Ya Habiba de Oxum, Março de 2014

Pulso da terra

Talvez no meio de todas as máquinas, no meio do compasso da nossa vida agitada, no meio de todas as análises fundamentadas, a gente não ouça mais, não veja mais, não perceba mais: A terra vive, pulsa, dança. Ela tem suas leis, seus direitos e sua linguagem. E ela pode junto conosco contar e descobrir mil histórias.  
     Um Terreiro é um espaço em que a vivacidade da natureza é vista, ouvida, tocada, festejada, honrada e cantada e dançada. É uma escola em que a integração e a conexão da percepção humana com a terra e suas forças se encontra no centro da praxis. É uma tradição que seguindo uma sabedoria antiga se apercebe do pulso da terra.
     É honra e dever envolver em ações rituais os impulsos que disso resultam - de maneira que as antigas artes da conexão e da interação com a grande ciranda elenentar permaneçam vivas. As cosmologias provenientes de diferentes espaços culturais, com são hoje praticadas na Umbanda e no Candomblé, apresentam um grande espectro e, é claro, diferentes práticas rituais e filosóficas. Com grande alegria a Terra Sagrada Ilê Axé Oxum Abalô com suas obrigações e festas, seus rituais de cura e suas giras públicas contribui com a sua parte.
Que Oxalá lhe abençõe, Yá Habiba de Oxum, outubro de 2013

No verão do sétimo ano
...o jardim do terreiro brota e floresce com pulgência. Ele quer ser tocado, misturado, cuidado mas quer também ser contemplado em silêncio, sim até entre outros ser deixado em paz. Só assim ele pode se mostrar, com a sua beleza e a sua força.
O caminho dos Orixás, que a Terra Sagrada percorre há sete anos na Europa Central, é um jardim. Ele clama por dedicação, exige paciência, quer ser questionado mas também quer ser usado e desfrutado - deste modo ele flui pelas antigas raízes e a roda do tempo até nós e age como "religio", como algo "sempre e sempre comunicando".  Um caminho assim é ao mesmo tempo rio grande e ribanceira estreita. Até que lugar a dedicação é um gesto de amor e aonde ela se torna um ato cego e destrutivo? Até que lugar a experiência de proteção chama em nós uma abertura do ser e aonde a mesma proteção se transforma em alimento para a estreiteza fundamentalista? Até que lugar que o milagre do sagrado atua como chamariz para a pesquisa continuada e aonde ele se torna instrumento para estruturas de poder perversas? Até que lugar se encontra o bom espaço para a razão clara, para a observação sóbria, para o discurso lógico em um percurso que ensina sobre o êxtase?
Eu sou grata não somente pela riqueza deste caminho como também porque ele e o tempo em que vivemos dão espaço para estas questões. Até mais - eles nos forçam a colocá-las. No verão do sétimo ano nos encontramos no meio de um jardim pujante, profundamente agradecidos pela dança de Olorum e Aiê, do espaço visível e do invisível.
Que Oxalá lhe abençõe, Yá Habiba de Oxum, em julho de 2013

Iroco - Tempo - Árvore do tempo

Em muitas culturas ao redor do mundo, as árvores desempenham um papel importante. O Axis Mundi, a árvore do mundo liga a terra e o céu, e tranforma sob a sua copa os eventos e os destinos de vida em histórias com sentido.
Iroco pode fundir as nossas histórias concretas de vida nos motivos coloridos da dança eterna e as restitui com uma profundidade nova. Iroco é também um símbolo do "Nós", em que os seres humanos estão imersos. Porque não somos, mesmo que pareça diferente em alguns lugares, apenas  homens entre homens. Não, nós somos homens debaixo de árvores, entre plantas, na terra com as pedras, no meio de animais e outros entes, somos um Nós de um mundo múltiplo. Suportar e desfrutar a condição ser fundido e restituido no meio de um grande Nós com todas as suas contradições e idiossincrasias, esta é o grande ensinamento de Iroco, o Orixá das árvores, que na linha de Angola muitas vezes leva o nome de Tempo e acolhe todos os rituais desta a tradição sob sua proteção.
Tempo, a árvore do tempo, o guardião da memória, a interminável ponte entre os mundos. Saravá o Tempo! Tempo oiô!
Ya Habiba, fevereiro de 2013


Coragem de coração
São muitas as formas de cura: os caminhos de plantas e sucos, os caminhos da cirurgia, os caminhos da palavra transformadora. Caboclos e Caboclas são forças espirituais que têm em muitos caminhos, seus aliados, seus professores, sua forma de acesso. No entanto, seu maestria é a conexão com a coragem do coração: afirmar incondicionalmente da vida; recolher e guardar as faíscas de vida; aceitar com alegria as dádivas da vida. É para isso que eles dançam, é isso que eles nos lembram, é para isso que eles clamam.
Ya Habiba de Oxum Abalô, Março de 2012

Se lembrar da tarefa no todo
Até o por do sol cada raio de sol é inútil se nós virmos o que queremos

... é o que diz um poema de Michael Lehofer1 e nos conta entre muitas outras coisas de um elemento essencial do aprentizado espirirtual. Não ver o que queremos, mas ver aquilo que quer ser e pode ser visto por nós. Não simplesmente viver o que queremos, mas viver aquilo que quer e que pode ser vivido por nós. Não somente fazer o que nos agrada, mas crescer em um fazer que corresponde a nós, a nossa história e ao nosso presente.
O trabalho com forças como as oferecidas pelas tradições dos Orixás é um caminho que nos lembra da nossa alma e da sua tarefa no todo. Que muitas vezes através de passos pequenos e não espetaculares nos leva aquilo que somos nós, o nosso mistério, o nosso chamado.
A pouco tempo li num jornal uma coisa certa: "Movimente você também e não somente o seu avatar!" É do que importa. Que a gente simplesmente e de verdade dê os pequenos passos, e não somente no nosso espírito. Tão insignificantes ou gigantescos eles nos pareçam.
E eu peço pela força dos Caboclos com sua pulsão, sua coragem, sua força, para que a alegria com as açoes pequenas mas concretas na vida possa contagiar à sua volta e para que as tarefas, que resgatam o sentido do fundo possam se mostrar de maneira cada vez mais clara e variada. Saravá os Caboclos! Okê Caboclos!
Ya Habiba de Oxum Abalô, Novembro de 2011

1Lehofer, Michael; Was wir der Liebe schuldig sind; Drava Verlag, Klagenfurt/Celovec, 2007

A serviço da comunhão

Numa época em que as regras do consumo bruto ditam a organização da sociedade, em que recursos elementares, sociais e espirituais são explorados cegamente, em que nós ainda estamos presos em tantos movimentos traumáticos passados e atuais - nesta época nem sempre se pensa em permanecer no amor.
No amor por nós mesmos, por nós enquanto comunidade humana, por aquilo que caracteriza a vida como Criação - agora.
E mesmo assim é necessário mergulhar sempre  e mais no amor, deixar emergir o espaço da confiança, a presença plena - pronta para a vida, para a ação. Este é o caminho.
Como sou feliz, pois o chamado dos orixás me trouxe para este caminho e eu tenho a possibilidade de passo a passo explorar, vivenciar, partilhar e passar a diante a profundidade e a pluralidade desta tradição espiritual e de seus rituais. Eles são companhia e desafio, concentração e desabrochar.
Profundamente agradecida a todas as pessoas e forças que contribuem para que o nosso trabalho ritual possa agir a serviço da comunhão é a maneira como me sinto. Possa o manto protetor do amor de Mamãe Oxum estar presente nas giras e nos assentamentos deste outono e para além...
Ora iê iê ô! Ya Habiba, Agosto de 2011

O que faz uma filha ou filho de Santo?

Nas tradições dos Orixás as pessoas são convidadas a percorrer os muitos caminhos de uma filha ou filho de Santo. Os Orixás são as forças sagradas que moram na natureza. São as dimensões espirituais de fontes e montanhas, de mares e florestas, de ventos e sol...
Ser uma filha, um filho de tais santidades significa às vezes ser alimentado do seu néctar em êstase de beatitude. Mas significa também assumir a tradição de guardiã daquelas forças, elementos e espaços. Cantar para eles, dançar para eles, estar aí para eles e por eles, percebê-los, mantê-los vivos na memória, cuidar deles e comemorá-los.
Também significa se posicionar no mundo e na história com dignidade e responsabilidade e de uma maneira tão generosa, corajosa e sincera quanto possível. Não somente nos rituais, mas também na vida, em termos concretos. Dar a sua contribuição, nem mais nem menos. Possa isso soar grandioso ou insignificante: dar a sua contribuição. É isso o que faz uma filha ou filho de Santo.
Março de 2011, Mãe Yá Habiba de Oxum Abalô


Iemanjá - mulher de verdade, força maternal, protetora das cabeças
Dia 2 de fevereiro tem festa no mar! É a festa de Iemanjá, a força espiritual do mar. Neste dia se canta para ela, se lhe agradece, e a dança extássica sagrada das filhas é toda dedicada ao seu abraço.
Os oceanos são o lugar da criação, da generosidade, da conecção e do equilíbrio. Iemanjá segura a balança do grande fogo dentro e fora da terra. Ela está profundamente conectada com o ritmo de luz e escuridão, no fundo com todos os ritmos que velam sobre a fertilidade e a renovação dos recursos terrestres. Nos mitos antigos ela é tida como a protetora das cabeças. Quando fazemos rituais em sua honra, fezemos sempre com o pedido no coração, de que às nossas cabeças retornem sempre o equilíbrio, o reconhecimento, a confiança e a responsabilidade, que ela ajude a nos conectarmos novamente com o bom lugar no fluxo dos mundos, para a nossa e a sua proteção.O doce Iabá! Odoyá Mamãe!
Fevereiro de 2011, Yá Habiba de Oxum
 
Terra, coração e mão - gestos rituais
Foi um ritual simples, pequeno em que nos foi contado sobre o movimento que atua entre a terra, o coração e as mãos. Que as mãos passam a agir com confiança, quando o ritmo é o do coração e a força sustentadora da terra pode ser percebida. E que este encontro da percepção da terra, da batida do coração e do estender da mão é um serviço à vida e à renovação pacífica.
Muitos gestos e posturas tradicionais da dança, da contemplação e de rituais têm a função de manter esta compreenção viva, não apenas em nossa consciência lingüística, mas também em nós mesmos, enquanto experiência corporal, sensorial, física.
Eu desejo de coração que o mundo e nós seres humanos não paremos completamente de ensinar uns aos outros gestos e movimentos que trazem em sí histórias profundas e cheias de amor. E que possamos vivenciar a alegria e o êxtase que surgem quando a sua magia se desdobra.
Dezembro de 2010, Yá Habiba de Oxum
 
Os Ancestrais e sua grande força
As tradições dos Orixá vêem o mundo permeado de forças visíveis e invisíveis. Nele dançam os vivos e os ancestrais, as dimensões da natureza e do divino se interlaçam no tempo promordial e seus mitos.
A dedicação a esta dança nos permite antever com
admiração e espanto a verdadeira extensão da nossa imersão na vida. Sob esta perspectiva se mostra a importância de uma comunicação pacífica e com claros limites com "outro mundo", onde agem as grandes forças dos ancestrais.
É a esta comunicação pacífica com limites protetores que estão dedicadas as giras dos ancestrais deste outono em Viena, Graz, Zurique, Berlim e no Vale do Reno. ../terrasagrada_wien.html
Yá Habiba de Oxum, setembro de 2010

"No fundo da sua pessoa você é, ó gente, Deus enquanto árvore, pedra, bicho"

Susanne Wenger, artista austriáca e Mãe de Oxum nascida em 1915 em Graz, na Áustria, falecida em 2009, em Oshogbo, na Nigéria.
As tradições dos Orixás reconhecem o sagrado nas forças da natureza. Elas abrem com dança, ritmo, canto e ritual um espaço no qual estas forças não somente podem ser experienciadas mas podem ser vividas.
Através de uma experiência sensorial elas favorecem uma relação de amor entre a pessoa e a natureza e reforçam um sentimento natural de estar-introsado na corrente da vida.
Relações vivas ou até mesmo sagradas entre o homen e a natureza; uma compreenção do mundo viva, dialógica e cooperativa parecem loucas nestes tempos dominados pela técnica e pela economia. Destes loucos é que eu gosto! Que lindo que eles nos convidam para dançar e que contribuem para que possamos praticar a tradição dos Orixás na Terra Sagrada na Europa dem uma maneira tão cheia de alegria e profundidade. Olorum motumbá!
Ya Habiba de Oxum Abalô, april de 2010
 
Estar na alegria
Muitas pessoas que participam de uma gira ou de um outro ritual público desta tradição nos mencionam entre vários outros elementos sempre uma mesma coisa: é comovente ver que a prática espiritual poda ser vivida com alegria força e disciplina.
Estas palavras poderiam ser minhas. De fato é sempre um pequeno milagre quando ao cantar e dançar juntos no ritual a alegria se expande e como um flúido mágico enche o espaço e os entes que ali se encontram. Alegria não pode ser forçada, não poder ser treinada, não pode ser produzida - ela é um presente que nós podemaos aceitar.
Caboclos, pretos velhos e Orixás são visivelmente generosos no que concerne a alegria. Eles mesmo se alegram com a alegria. Deste modo surge ao longo do caminho segundariamente muitas oportunidades para os filhos e as visitas vivenciarem o receber e deixar fluir a força da alegria e para descobrir o salutar e o sacrado que alí se encontram. Por isto sinto uma enorme gratidão como mãe de santo.
Yá Habiba de Oxum Abalô, fevereiro de 2010